segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Goa

Depois de 4 semanas no terceiro mundo, visitando terras que nunca tínhamos visto igual, em qualquer situação passada, contactando com um povo que nunca havíamos conhecido em parte alguma, alcançamos o estado de Goa.
Chegamos a Goa, mais propriamente a capital, Panaji, após uma viagem de comboio de 12 horas, realizada durante a noite.
Panaji e uma típica vila portuguesa, parecida com as que encontramos no Alentejo, vêem-se ruas com nomes portuguesas, grande parte da população fala português ( nomeadamente pessoas nascidas antes de 1961, altura em que Goa passou a pertencer a republica indiana), igrejas, casas, hotéis e guest houses com uma declarada construção lusitana.
No primeiro dia passado na ex-colónia, passeamos pelas ruas de Panaji, visitamos lojas e almoçámos um óptimo caril de gambas numa marisqueira. Outra situação que merece destaque e, referir que, a única vaca que encontramos, estava fatiada, com 15 cm de largura, em cima de um prato de cerâmica coberta por um ovo estrelado, ao jantar num restaurante chamado BAR JORGE!
Na manha seguinte, depois de adquirir umas motas de aluguer, fomos para Old Goa, onde visitamos a igreja S. João de Deus e a Se, a Basílica do Bom Jesus, onde esta sepultado S. Francisco Xavier. À tarde dirigimo-nos para uma vila chamada Margao, onde almocamos. Apos o descanso para refeicao, seguimos para Chandor, local onde esta situada a Casa dos Bragancas. A casa e ainda habitada por dois ramos da Familia Braganca ( os Menenzes Braganca e os Braganca Pereira). Uma senhora de idade, da familia Menezes Braganca fez-nos uma visita guiada pela casa, onde nos mostrou todas as divisoes, mobilias e biblos, que estranhamente datavam todos de ha 250 anos atras, desde jarras chinesas importadas de Macau, a candelabros belgas, pratos franceses e marmore italiano. Nao sendo nenhum de nos perito em historia de arte, fomos acreditando. Ate que a prestavel senhora, nos aponta um quadro do seu Bisavo, tambem com 250 anos, que vestia um casaco com galardoes doados pelo Rei D. Carlos. O Penultimo Rei de Portugal, fez uma oferta cerca de 100 anos antes de nascer.Foi portanto uma jornada engracada de ver, mas rechedada de conflictos cronologicos.

Para finalizar, não posso deixar de mencionar um senhor, chamado Alito" Palito " Ursula D' Sousa, notoriamente embriagado, que nos bloqueou no meio da rua e posteriormente abriu as portas de sua casa. Alito falava um português fluente, profundo conhecedor de A Portuguesa( visionem o vídeo em baixo), com tedencias fascistas, visto que fazia varias menções a António de Oliveira Salazar, com afirmações como: " Isto no tempo do Salazar e que era! " e vários " Viva Portugal! ". Era deste modo, um amante do colonialismo

Viagem de Comboio rumo a Goa.

A casa dos Braganças

Alito "Palito" Ursola D'Sousa



Basílica Bom Jesus
Igreja S. João de Deus



Igreja da Imaculada Conceição, que celebra missas em português.

Arco dos Vice-Reis, por onde os portugueses entravam em Goa.

video

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Varanasi

Depois da nota comica, introduzida pelo Bernardo no ultimo Post, voltemos a descricao da viagem!
O comboio alcancou Varanasi ao fim de 22 horas de viagem. A cidade e considerada a mais santa da India, e colocada nas margens do, famoso e sagrado, rio Ganges ( Ganga, no dialecto local), que e visto pelos indianos, seguidores da religiao hindu, com um respeito imenso, ao ponto de os turistas estarem determinantemente proibidos de tirar fotografias nos locais chave.

Para nosso infortunio, os dias que antecederam a nossa chegada a Varanasi foram de chuva torrencial, provocando inundacoes nas ruas e, pior que tudo, deixando submersos a maior parte dos Gath ( uma especie de escadas que ocupam as extremidades do rio). Posto isto, a principal atraccao da cidade ficou, em parte, por ver. A hipotesse de colocar uns oculos, um respirador e mergulhar Ganges a baixo, ficou colocada de parte quando o nosso bom amigo, Lonely Planet, nos informa que existem 1500000 de bacterias por 100 ml de agua.
No primeiro dia, depois do ritual pequeno-almoco no roof top do hostel, fomos dar uma volta pelas ruas da cidade, onde se encontram inumeras lojas de roupa, sedas, bijuteria, carteiras de senhora, oculos, etc. Para quem tem tempo, paciencia, espaco na mala e umas centenas de rupias, e um verdadeiro paraiso de compras! Ao fim da tarde, apos um ha muito ambicionado almoco no Mcdonalds, voltamos a repetir a experiencia de assistir a um filme de Bollywood no cinema do centro comercial. Mais uma vez, a linguagem usada era o Hindu, sem legendas em ingles, mas com um toque de imaginacao e sempre possivel seguir o enredo.

Na tarde de ontem, quando faziamos mais uma tentativa frustrada de visitar um Gath, fomos literalmente obrigados a receber uma massagem de rua! No post anterior podem ver a fotografia da minha pessoa encorralada entre dois " massagistas "......
Falando um pouco mais de Varanasi. Este e o local onde todos os hindus desejam morrer, a fim de, serem cremados, e as suas cinzas lancadas ao Ganges, com a esperanca de reencarnarem numa outra vida. Quando ontem visitamos um local de crematorio, ja com a imagem de varios cadavares enfeitados terem passado rente aos nossos, saudaveis e catolicos corpos, fomos advertidos, por um guia da especialidade, para a necessidade de doar-mos 100 rupias cada para a compra de lenha. Imagino que sabem qual o seu fim.

Hoje partimos do comboio na noite para o sul do pais, onde permaceremos umas horas em Bombaim e seguidamente Goa.

Uma das milhentas pilhas de lenha espalhadas pela cidade.


Manikarnika Ghat, a principal de Varanasi onde o fogo sagrado usado para a cremacao dos corpos arde ha 5000 anos.


Diogo a usufruir da caridade de uma crianca Indiana que lhe pagou um sorvete.



Nas ruas estreitas da Old City


Vista do roof top do nosso Hostel



Sentados numa das inumeras Gaths
Banhoca no Ganges

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Tesourinhos Deprimentes

Para animar a coisa, eis algumas verdades escondidas nesta viagem pelas Indias...


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Ze Maria e a sua constante fobia de morcegos.

Tartaruga Ninja


No comments


Floribela com escaldao a camionista


Wanted, dead or alive.


Pedro arrisca uma massagem, (Kamasutra!?)





sábado, 23 de agosto de 2008

Amritsar - "O Santo " e " O Curioso "

Apos uma viagem de 18 horas de comboio entre Jaisalmer e Delhi, e em seguida para Amritsar( nao se deseja nem ao Pinto da Costa, ver fotografias em baixo), depois da escala na capital indiana, tivemos contacto com um mundo completamente diferente: viagem de 5 horas em primeira classe, com destino a Amritsar. A carruagem era um verdadeiro luxo asiatico, assentos confortaveis, ar condicionado, vizinhos que deveriam ter aquele estranho habito de tomar banho todos os dias e, para nossa grande surpresa e alegria, a refeicao foi uma jornada continua por pelo menos 3h 30! Tivemos direito a: aperitivos, entrada, prato principal e sobremesa!
Voltando atras, durante a interminavel viajem ate Delhi, conhecemos um jovem indiano de 21 anos, formado em engenharia electrotecnica, a que todos condordamos de chamar " O Santo ". Ao rapaz so lhe faltavam as asas brancas, fechava a janela do compartimento quando esta era invadida por pequenas, mas dolorosas, tempestades de areia, dado que parte da linha de comboio tomava parte no deserto, dava-nos conselhos sobre a melhor maneira de lidar com o povo da India, pagou-nos o jantar, durante uma escala de aproximadamente 1 hora que fizemos em Jodhpur, e mais um numero infindavel de coisas, que eu, honestamente, nao era pessoa para fazer a um qualquer estrangeiro que encontrasse na minha patria. No fim houve ate uma troca de galhardetes entre o Bernardo e Sourav (O Santo), onde foi trocada uma camisola de Portugal por um colar tipico Indiano.
Dentro do comboio que nos trouxe ate a Amritsar, em tudo semelhante ao " Expresso do Oriente" ( passe o exagero, mas ao fim de 3 semanas de renuncia a riqueza, e legitimo empolar um pouco os aspectos mais requintados), um Sikh( religiao muito presente na cidade onde nos encontramos) a que optamos de apelidar de " O Curioso ", fez-nos todas as perguntas do mundo, sem o menor tipo de pudor ou vergonha, tal como: " Como e que voces os 5 podem pagar uma viagem com esta? ", " Os vossos pais sao ricos? ", " Quais sao, para voces, os aspectos mais negativos da India? ", estas foram, sem duvida, as 3 questoes mais incomodativas, em que tentamos, por todos os meios, dar a volta.....
Centrando-me em Amritsar, a terra do Sikhismo, a cidade e parecida com as grandes e populosas que temos conhecido, no entanto, as pessoas sao bastante diferente, pelo menos, em termos de estactura. Os Sikhs sao muito mais altos e encorpados que a maioria dos indianos, todos usam longas barbas, a cabeca tem obrigatoriamente que estar coberta por um turbante, e a maneira de os distinguir do Hindus e Muculmanos.
No primeiro dia demos uma pequena volta pela cidade, que e centrada pelo famoso GOLDEN TEMPLE, um local de culto para os Sikhs. Ao fim da tarde tomamos um taxi para ir ver uma das mais famosas atraccoes turisticas da regiao, a cerimonia de encerramente da fronteira com o Paquistao. O evento e diario, com uma numerosa assistencia e muito pitoresco! Nunca tinha estado tao perto de uma pais, considerado, hostil, mas tudo correu pelo melhor, com mais sorte que a malograda Benazir Butto.
No dia de hoje, umas horas antes da publicacao deste Post, visitamos o GOLDEN TEMPLE, numa manha de monsao( como poderao visionar na foto-reporagem). O templo e revestido por cerca de 100 kg de ouro, data do seculo XVI, e o interior e deveras impressionante!
Em seguida partimos num comboio de 22 horas, em Sleeper Class AC, com destino a Varanasi.

Uma amostra de um comboio indiano...




Cerimonia da fronteira, do outro lado a 'torcida' Paquistanesa.




A 'torcida' Indiana, naturalmente em superioridade numerica...




Connosco no jipe ate a fronteira, Nani!



Vestidos a rigor para visitar o 'Vaticano' dos Sikhs.


O Golden Temple

Uns amigos Indianos que fizemos enquanto esperavamos que a chuva parasse



Uma amostra das moncoes. De referir que temos tido imensa sorte, pois este foi apenas o terceiro dia de chuva que apanhamos.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Detalhes tecnicos

Este e o nosso circuito que foi mudado apos grande confusao em Deli.

Entre Udaipur e Jaisalmer ha a cidade de Jodhpur que nao aparece neste mapa.

Jaisalmer

Antes de mais, peco desculpa aos nossos fieis leitores pela demora da publicacao de novos Posts. Visto que o tempo e escasso, nem sempre ha disponibilidade para actualizar as aventuras.
Chegamos a Jaisalmer pelas 2:00 da manha, a saida do Bus estava um empregado do Hostel que haviamos marcado na vespera a noite. O local era bastante simpatico e relativamente limpo! Estava situado a cerca de 50 metros da muralha que envolve a cidade, e com uma vista previligiada para a Golden City.
Na primeira manha, depois de um pequeno-almoco no roof top do Hostel, fomos visitar a bonita cidade de Jaisalmer que, como ja referi,. esta envolta por uma estenca muralha dourada. A principal atraccao e o Fort local, anteriormente habitado pelo Mahraja e sua familia.
No segundo dia tivemos uma experiencia unica: um safari no deserto do Rajastao! Para o Tomas, Ze e Bernardo, nao foi novidade visto que ja o tinham feito no verao passado em Marrocos, para o Diogo e para mim foi a estreia absoluta nestas lides. Apos uma viagem de 1h 30 de Jipe, seguimos de camelo deserto fora, a merce de 6 animais com bocas e 4 individuos que nao se intitulavam nem indianos nem paquistaneses, apenas como filhos do deserto.
Ao fim de 2 h paramos numa sombra estrategica para descanso, dos animais e desertinos, onde nos foi servido um delicioso almoco, com aperitivos e tudo a que tinhamos direito. Seguidamente prosseguimos em direccao as dunas onde passariamos a noite, ao relento, com a compnhia de uns milhares de escaravelhos desejosos de entrar nos nossos sacos-cama ( ficamos a saber que esses pequenos tesouros do deserto se alimentam dos " presentes " que os camelos vao deixando ao longo do areal.
Acordamos pouco depois no nascser do sol, um tanto ou quanto gelados mas bem-dispostos. Os nossos guias estavama preparar-nos um pequeno-almoco quase ocidental, com torradas com manteiga e cha. Depois da refeicao, apetrechamos os camelos e voltamos para o local onde o jipe nos deixara na vespera e nos voltaria a apanhar para nos levar de volta a Jaisalmer


Palacio do Maharaja dentro do Forte

Ze, Tomas e Pedro vestiram-se a rigor para a aventura no deserto.
Rumo as dunas do Thar
'Dunas, sao como divas...'
O mar de dunas do Thar


O filho do deserto responsavel pelas nossas vidas no Thar
Vista nocturna do nosso 'quarto'.
Passeio matinal, rumando de volta a Jaisalmer.